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A China em Gerúndio



A auto-satisfação é inimiga do estudo. Se queremos realmente aprender alguma coisa, devemos começar por libertar-nos disso. Em relação a nós próprios devemos ser "insaciáveis na aprendizagem" e em relação aos outros, "insaciáveis no ensino"
Maozedong

Mestre é aquele que, por meio do antigo, descobre o novo
Confúcio

Maozedong já sabia que a China não pode ser reinventada do zero – o próprio fato dela continuar sendo China mostra isso. O que causa apreensão é que China encontraremos pela frente. Todavia, somente uma abjeta e total ignorância sobre o passado da China, em relação ao mundo, poderia causar tanto temor. Como afirmou Kang Yuwei, o mundo do futuro será globalizado – talvez não como ele pretendia, e mais difícil ainda é saber como ele achou isso nas Primaveras e Outonos. No entanto, desde antigamente, a China já produzia culturas e tecnologias para o mundo; sua atuação no mercado – fosse pela seda ou pela porcelana – influenciava diretamente as economias euro-asiáticas. Não se trata de afirmar que esta hegemonia seria perene ou será retomada; a questão é que a força de trabalho chinesa, aliada ao seu projeto social de educar para civilizar (a grande herança confucionista) a tornarão, indubitavelmente, uma potência – como sempre foi, com rara exceções temporais. A miragem causada pela depressão pós-imperial iludiu o ocidente sobre a “fraqueza” da China. O conflito em torno das doutrinas “ocidentalizantes” convenceu ainda mais os experts de que a China seria reformulada como um país de 3º mundo. No entanto, a abnegação desta civilização, consolidada em sua herança intelectual e suas tradições, fez-na retomar um nível de crescimento impactante e influente no planeta.

Já sabemos, as hegemonias passam: Roma é uma sombra de seu passado, a Inglaterra e Espanha perderam seus impérios, então é provável que a China voltar a ter suas crises daqui a um ou dois séculos. A questão, contudo, é que não se pode menosprezá-la. A China é um continuum de um povo gigantesco, que se articula em torno de seus “ritos”, o velho e bom Li confucionista, que é sua cultura. A China não foi, nem é, nem será. Talvez o melhor tempo que defina a China é o horrível e pouco sonoro gerúndio, pavor dos trabalhos acadêmicos de hoje com sua presença insuportável e repetitiva, mas que guarda um sentido profundo e preciso: ele denomina o ato sem fim, que está acontecendo, que foi e que continuará a se desenrolar. A China tem esta continuidade indiscutível, sobre a qual especulamos suas manifestações mais próximas. Surpreender-se, porém, com seu reerguimento, é de uma ignorância preocupante. Napoleão já sabia: “quando a China se levantar, o mundo inteiro tremerá”. “A China, estando grande...”; quando foi isso? O tempo todo!

Só os tolos e os românticos se agarram ao pretérito mais-que-perfeito.

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