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A angústia da inteligência

A benevolência e a moral, sem a inteligência, seriam um amor universal sem distinção entre os bons e os maus; a inteligência sozinha, sem a benevolência e a moral, seria algo inútil e perigoso. Do que se conclui que a benevolência e a moral servem para cultivar o amor a humanidade, e a inteligência, para distinguir os bons dos maus.

Dong Zhongshu



Às vezes nos assustamos com a ‘inteligência do mal’, e das artimanhas que as pessoas ignorantes empregam para atingir um fim. Seus sucessos implicam, muitas vezes, na descrença generalizada nas atitudes corretas. Contudo, o mundo se assenta, justamente, nas atitudes corretas. Observem as pessoas na rua: apesar da plêiade de pequenos defeitos que podem se encontrar ali, a massa, mesmo em seu desconhecimento, é na maioria honesta e trabalhadora. Uma sociedade que visa o mal se auto-destrói, seja pelos conflitos que provoca em si ou com os outros. Mal orientado, um povo pode ser levado a arrasar-se em conflitos dilacerantes, mas o ser humano busca, ao fim, a estabilidade da paz. Nesse ponto concordo com Mêncio: uma humanidade que não seja, em essência, boa, não pode criar leis para manter-se a si mesma em harmonia.



Mas isso não implica, porém, no desconhecimento das noções de apropriado e inapropriado. O atributo da inteligência é justamente esse; a distinção das coisas, e o conhecimento de suas raízes. Não existe alguém absolutamente inteligente que seja mau, posto que a inteligência traz o esclarecimento; assim sendo, se encontramos alguém que se compraz no inapropriado, devemos duvidar de sua suposta sabedoria. A verdadeira inteligência consiste no estabelecimento das relações que trazem a harmonia; logo, pregar ou promover a desarmonia irresponsável é sintoma de pouco esclarecimento, por mais sutis que pareçam os discursos dos maus.

O oportunismo, as relações de ocasião, os interesses voláteis, a fraqueza de caráter, a estreiteza de pensamento, o obscurantismo, tudo isso pode se autodenominar de ‘inteligência’, mas não é, posto que não traz consigo a benevolência e a moral. Para o obtuso, benevolência e moral são apenas modalidades de amor a humanidade que servem de meio para a realização de objetivos pessoais. Nessa fugacidade, a ambição destrói a vida das pessoas, e lança a sociedade ao descalabro; mesmo um parasita sabe que não pode matar seu hospedeiro, mas os maus humanos não contemplam mesmo o prolongamento de sua vida, atendo-se a um imediatismo incompreensível.



Eis as razões pelas quais as pessoas não são mais educadas hoje do modo que deveriam ser: pois o estímulo a inteligência iria contra a prática do mal. Benevolência e moral não seriam capas para o populismo, mas valores reais numa sociedade humanista. Mas, como disse Liushao:



A benevolência é a base da moral; a justiça, sua essência; os costumes, sua expressão exterior; a fidelidade, sua fonte; a inteligência, seu guia. A inteligência nasce da clara compreensão das coisas. Para ver com claridade as coisas, o homem tem que contar com a luz do sol ao longo do dia e com as velas a noite. Se a luz for intensa, ele pode enxergar longe. Mas são muito poucos, no entanto, que enxergam tão longe...

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