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Dez considerações breves - e absolutamente incômodas - sobre a China


O que quero, neste breve texto, é responder algumas perguntas muito comuns sobre a China. Escolhi este método “pergunta – resposta” para ir direto ao assunto, embora eu saiba que ele só atenderá a exigência dos estudantes ou dos curiosos; afinal, os que odeiam a China sem saber porquê, que repetem a ladainha das emissoras de TV e tem sua cabeça confortavelmente instalada no senso comum não se darão ao trabalho de esclarecer suas dúvidas. Como disse Confúcio, só o sábio e o estúpido nunca mudam – o sábio sempre vai de encontro ao que não conhece, e passa a vida a estudar; o idiota, porém, já sabe tudo.

Quanto às fontes: num estudo sobre a China, sempre encontraremos trabalhos diversos. Alguns dos trabalhos ocidentais estão calcados no preconceito, e o objetivo geral dos mesmos é disseminá-los, criando a imagem do novo e grande inimigo. Por outro lado, temos as fontes chinesas, que quase ninguém lê – seja porque estão em chinês, seja porque as pessoas em geral, teriam má vontade em fazê-lo, já que acham que todo este material é ideologicamente contaminado pelo regime comunista (como se no nosso lado do mundo não o fosse...). Então, como já dizia um velho adágio, “leia tudo e não acredite em nada”. Mas, alguns meios de comunicação, livros e materiais são realmente indicáveis.

A primeira sugestão é de ler periódicos econômicos. O mundo capitalista só liga para regimes políticos quando eles ameaçam seus investimentos. No caso da China, atualmente a maior depositária de créditos americanos, isso não parece ter sido problema. Aliás, na recente crise mundial, a Ásia salvou o mercado americano com a liberação de créditos (vejam em http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/081205/mundo/finan__as_economia_china_11 ).

Outras boas sugestões são os informativos de relações internacionais. O jogo da Geopolítica é muito mais complicado do que o leitor usual imagina, e reconstituir esta teia de ligações não é tarefa fácil. Aconselho, em português, a versão do “Le Monde Diplomatique”: http://diplo.uol.com.br/

Por fim, aos livros; um clássico é o “Mundo Chinês”, de Jacques Gernet, uma vasta apresentação da história chinesa; tão honesto quanto (embora carregado de certo preconceito) é o “China-uma nova história”, de Fairbank; “China – História e cultura”, de W. Morton, é uma acessível viagem cultural ao mundo chinês; por fim, “Em busca da China Moderna”, de Jonathan Spence, é uma excelente introdução ao problema da modernidade na China. Mas estamos falando apenas de história – um singelo livro, “Sabedorias Chinesas”, de Leon Vandermeersch e Jean de Miribel, é ótimo para saber mais sobre a cultura desse país; e “China – entre o oriente e o ocidente”, de Rogério Haesbaert, traça um quadro sucinto, porém digno, desta civilização na atualidade. Falta-nos ainda um trabalho chinês, traduzido, que possa servir de comparação – mas aqueles que se propuserem a ler estas indicações, verão que o desenrolar desta civilização é bem diferente do que se pinta comumente, tal como são múltiplas as visões que dela se têm.

As 10 considerações
Agora, vamos ao que interessa;

1) A China tem um regime tirânico.
Em primeiro lugar, o regime comunista chegou ao governo por meio de uma revolução popular, contra um regime no qual grassava corrupção e o desmando. Tanto o é, que o exército guerrilheiro comunista, no final da segunda guerra, contava a metade dos membros do exército regular – e ainda assim, estes perderam (leia o livro de Fairbank! P.306-16).

O regime de partido único da China não tem aparência de ser democrático, de fato, como se diz. Mas há que se perguntar, primeiro, se a democracia funciona também. Charles Bukowski, um crítico perfeito da América, disse uma vez: “a diferença entre a democracia e a tirania é que, na democracia, você volta em alguém para depois começar a obedecer as ordens; as ditaduras pulam esta primeira etapa”. O que isso significa? Estaríamos admitindo, assim, que todo o governo é execução de poder, e supressão da liberdade?

Bem, como nasci numa parte do mundo em que a democracia parece ser um sistema ideal, não posso deixar de apreciar que tenho, aparentemente, alguns direitos. No entanto, vejamos o caso do Brasil; estamos no início de nossa experiência democrática mas, na primeira oportunidade de problema, pede-se a presença do exército nas ruas, novamente. Não será, pois, que o povo muitas vezes prefere um governo regulador?

Mas isso ainda não responde a pergunta; o que é um regime de partido único? No caso chinês, ele funciona (teoricamente) da seguinte maneira: há um partido (o comunista) que controla os estamentos políticos do país. As eleições são internas, e os candidatos são apontados entre os funcionários de carreira. Assim sendo, para alguém galgar um cargo político no país – entendido sempre como um cargo administrativo – é necessário percorrer uma série de outros cargos públicos, bem como conseguir as indicações para o processo eletivo. Isso significa que qualquer um pode, por mérito e esforço, atingir a presidência – com a vantagem de conhecer a máquina burocrática. Logo, todos os líderes chineses são, em geral, gente que construiu ou que conhece os sistemas administrativos do país. Esta estrutura evita os acidentes causados pela prática eleitoral direta, tais como a candidatura de alguém que seja inexperiente ou que seja apenas um bom sofista. Por outro lado, a participação popular se dá por meio de comitês ou associações, que participam do processo político pressionando – quando podem - os funcionários do sistema.

Obviamente que este sistema tem falhas, como tem pontos positivos. Em geral, os últimos governantes chineses têm sido funcionários capacitados e hábeis, que puseram o país na marcha da modernidade em condições extremamente vantajosas. Ao leitor cabe, pois, sua interpretação – as fontes para estas informações podem ser vistas nos livros indicados acima, como de Spence, Morton ou Gernet.

2) Comidas exóticas
Sim, os chineses comem de tudo. Um país com 1 bilhão e trezentos milhões de habitantes aprendeu, ao longo da história, a transformar em alimento quaisquer coisas que possam ser comestíveis. Mas os chineses NÃO comem apenas espetinhos de grilos, escorpião ou cobra. Leiam algum livro de culinária chinesa, ou o bom “Manual do Herói”, de Sônia Hirsch. O leitor descobrirá que os chineses comem coisas “normais” também, além de terem inventado o macarrão, divulgado o arroz e a soja. Sua preferência por carne de porco e frango (e cão, até algum tempo atrás) derivava da praticidade de criação destes animais, que consumiam todos os restos de alimentos, além de necessitarem de pouco espaço. Os búfalos, em geral, são utilizados no trabalho do campo, mas consomem muito espaço cultivável, e por isso são em número estritamente necessário – não compensa, de modo algum, o hábito de comê-lo. O leite não é utilizado – os chineses preferem chá ou vinho, pois em sua visão, passada a amamentação, não faz sentido continuar a consumí-lo, ainda mais se for de outro animal.

Quanto ao “exotismo culinários” dos chineses, creio que vale a velha regra; quem não experimentou, não pode opinar. Além disso, o argumento da “estranheza” dos alimentos não é válido; afinal, João Batista não comia gafanhotos? Qual razão para achar normal matar e comer uma galinha, mas não uma cobra? Por fim, os chineses sabem o que estão comendo – nós, porém, tomamos refrigerantes ou comemos salsichas que NÃO SABEMOS do que são feitas, temos conhecimento deste fato e ainda assim achamos normal! Quem é estranho, então?

3) Bandidos e Piratas
Acusa-se a China de pirataria e roubo de idéias, além de plágio e contrabando. Sim, na China se falsifica muita coisa, como em qualquer país grande. Se eles furtam idéias ou tecnologias, aí a coisa é mais séria; me intriga, no entanto, como os países que os denunciam sabem tanto sobre isso – não serão seus serviços secretos trabalhando em território alheio? Aliás, não são os mesmos que vêm pesquisar remédios na Amazônia? Bem, os chineses copiam muita coisa sim – ou trabalham bem mais barato. Afinal, alguém pode precisar o número de cópias piratas, ou de plágio, realizado pelos chineses? Lembro-me que até pouco tempo atrás todos se referiam as “cópias chinesas” de filmes, até que isso virou algo feio de se fazer e, principalmente, descobriu-se que muitos dvd's piratas são feitos em fundo de quintal. Moral da história? Hoje vemos, nos filmes, o anúncio de que os dvd's financiam o crime, as drogas e as armas. Se alguém mostrar como, eu poderei aceitar esta tese. Vejam esta reportagem: http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/2007/11/05/ult4213u180.jhtm – o que me interessa nela é a opinião do especialista em Crimes Eletrônicos.

Outro problema relacionado aos produtos chineses tem relação com a questão do contrabando. São os “chinas” contrabandistas de marca maior? A resposta, categórica, é NÃO. Os produtos saem da China em navios contratados, pagam seus impostos lá e pronto. Como entram em nosso país (ou em qualquer outro), AÍ SIM, está localizado o cerne da coisa. Se nossos portos não vigiam a entrada das mercadorias, não cobram suas taxas alfandegárias, etc, isso se trata de um problema policial e político. O contrabando só pode existir se alguém compra uma mercadoria no estrangeiro e não paga as tarifas de importação. A China foi acusada, por exemplo, de destruir muitas fábricas no Brasil com seus preços baratos e competitivos. Devemos lembrar, no entanto, o que se sucedeu com a política econômica nos últimos anos: muitas fábricas fecharam suas portas no sul, migraram para o nordeste (onde teriam isenções fiscais e financiamento de créditos, de acordo com programa do governo federal - http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/2007/11/05/ult4213u180.jhtm ) e ao invés de produzir, simplesmente começaram a importar mercadorias chinesas com preços competitivos. Resultado: estados “sobretaxados”, estados “subtaxados”, não transferência de empregos, arrecadação falha, perda de capitais e por fim, ausência de produção. Esta equação não pode durar muito tempo funcionando, e não beneficiou nem o sul nem o norte do país – onde a geração de trabalho não se sucedeu. Devemos ter um tremendo cuidado, portanto, em não confundir políticas públicas mal planejadas com uma propaganda enganosa de que a China é o “grande inimigo” - afinal, os chineses nunca invadiram nosso país, nunca nos apontaram armas atômicas e nem lhes demos direito de resposta. Dito isso, somos obrigados a repensar, então, nossas considerações sobre o que se trata, realmente, esta “pirataria e contrabando” asiático.

4) Meninas abandonadas
Vindos de uma cultural machista, e vivendo num país de frágil equilíbrio populacional, os chineses tem uma grande dificuldade de lidar com a política do filho único. São grandes usuários de métodos anticoncepcionais, e atrasam ao máximo a gravidez da mulher. Antes que algum hipócrita critique a política do filho único, vale lembrar que, no geral, os casais ocidentais em boas condições financeiras também pensam em suas carreiras antes de pensar em filhos; porque, então criticar os chineses?

O problema existe, no entanto, com a preferência por filhos homens, que tem ressurgido na atualidade. Esta lástima da cultura antiga, combatida arduamente por Maozedong, não desapareceu por completo da sociedade. Muitos casais desejam, no geral e por tradição, ter um filho – mas isso não incide, necessariamente, na execução das meninas. Faz algum tempo, proibiu-se exames pré-natal que apontassem o sexo da criança ainda no período de gestação, justamente para impedir pais mal intencionados. No interior, os casais podem ter mais de um filho também. Quanto à questão do abandono de crianças do sexo feminino, a disparidade de número em relação aos meninos não é tão gigantesca quanto pode parecer, além de ser considerada crime. No entanto, a China tem um programa internacional de adoções bastante desenvolvido (http://www.china-ccaa.org/frames/index_unlogin_en.jsp ), que tem impedido, satisfatoriamente, a proliferação de crianças miseráveis nas ruas.

Quanto aos arquivos pps que circulam na internet com fotos de uma menina chinesa abandonada na rua, creio que ele pode ser verdadeiro – tanto quanto as crianças africanas que morrem de fome, de uma criança americana deixada numa lata de lixo ou do bebe abandonado na Lagoa da Pampulha. Só não sei se eles são, em absoluto, a realidade de um país – afinal, quantos milhões de brasileiros (e muitos bastante pobres) lutam por seus filhos diariamente? Isso seria tomar um povo por desumano por conta de um exemplo isolado – e neste caso, os chineses dão exemplo de sobra do contrário, já que são a maior população do mundo.

5) Violações dos Direitos Humanos
Os chineses têm pena de morte, e os americanos também. Os chineses praticam um sistema dito “repressor” pelos críticos ocidentais, e no entanto, os mesmos EUA já mandaram para cova Lincon e Kennedy. A lei chinesa é dura com as religiões, e no entanto, pode-se encontrar uma mesquita nos EUA ou na Inglaterra onde um fanático prega o emprego de bombas contra o inimigo – isso é democracia, ou mau uso dela? Um presidente americano fala da ausência de liberdade religiosa na China, realizando seu discurso em Kansas, um dos lugares mais conservadores do país (e, no entanto, investe bilhões nesta mesma China) – realidade, ou mera jogada eleitoral? Quem consultar o site de Direitos Humanos da ONU (http://www.un.org/rights/ ou http://www.ohchr.org/EN/Countries/Pages/HumanRightsintheWorld.aspx ) poderá encontrar relatórios e materiais sobre as violações realizadas na China, mas – estranhamente – os estudos sobre os EUA são poucos, e majoritariamente encontrados apenas em ONG's americanas (http://www.hrw.org/legacy/wr2k1/usa/ . )

Quanto à questão religiosa, a lei chinesa que as regula é a mesma para todas as associações deste tipo. No entanto, imaginem agora que uma associação qualquer é controlada por estrangeiros, recebe fundos de modo não declarado, e defendem práticas contra a lei estabelecida. Máfia? Pode ser, mas também pode ser uma igreja. Um missionário que defende o sexo como pecado (numa sociedade onde ele não é), que só deve ser feito para concepção (quando é necessário controlar as bocas famintas), e é contra o uso de contraceptivos, está indo diretamente contra a cultura e o direito estabelecido da civilização chinesa – o mesmo Direito que ele invoca para defender o seu “direito” de ir contra a lei! Além disso, devemos olhar a questão da tolerância religiosa chinesa com maior flexibilidade: afinal, os muçulmanos têm uma relação muito melhor com os chineses (com exceção dos grupos radicais da Ásia central), o que mostra que este discurso tem uma conexão maior com o eleitorado ocidental do que, propriamente, com uma idéia de liberdade. O caso da seita Falun Gong é típico; ela é defendida com unhas e dentes, quando se trata de acusar a China de um crime contra religião, por uma parte do mundo que insiste em defender a laicidade de seus governos e desaprovar, ao mesmo tempo, determinadas repúblicas islâmicas tidas como “radicais”.

Quanto aos crimes, a contabilidade é interessante; os EUA têm mais assassinatos do que a China, - em quantidade, e não em proporção! Temos, no Brasil, mais mortes por acidentes de carro todo ano do que em algumas guerras convencionais. A repressão ocorrida na Praça da Paz Celestial foi numericamente ridícula em número e proporcionalidade, mas não deve ser desconsiderada – embora não devamos esquecer também Eldorado de Carajás, a Candelária, Volta Redonda, o assassinato de Luther King, o nazismo, as ditaduras latino-americanas, e o espancamento de Rodney King que provocou o distúrbio étnico de Los Angeles em 1992. Devemos pensar que conceito estamos utilizando, pois, para avaliar a questão. Gostaria de indicar três textos para isso: o primeiro, de François Jullien (http://diplo.uol.com.br/2008-02,a2194 ) e outros dois meus: http://sinografia.blogspot.com/2007/07/resposta-de-confcio-ao-problema-dos.html e http://sinografia.blogspot.com/2007/07/questo-dos-direitos-humanos-numa.html

6) A questão do Tibete
Estou me arriscando bastante a dar minha opinião sobre o assunto, mas creio que faz parte do trabalho. Em primeiro lugar, não acredito nos interesses puramente democráticos dos países que defendem a liberdade do Tibete; estas nações, com certeza, prezam um compromisso posterior. O Tibete é rico em minérios, que começaram a ser explorados pela China faz pouco tempo. Como parecia ser difícil negociar com os chineses seria mais fácil, pois, dar liberdade aos tibetanos e, depois, pedir sua parte. No entanto, as regras do mercado internacional são duras, claras e perversas; tão logo os mesmos países ocidentais têm acertado seus ponteiros (e investimentos) com o gigante chino, as petições de liberdade viraram assunto de ONG'S, mas nenhum governo estabelecido fez qualquer pressão maior. O recente governo da França fez fiasco ao defender um boicote olímpico em Beijing, e acabou indo para competição bem quieto. Por isso, vamos estudar a história do Tibete por dentro.

A história dos tibetanos com os chineses é longuíssima. Eles se batem e se amam fazem séculos, e sua relação é feita de aproximações culturais. Uma boa fonte para saber mais é o documentário “Tibete”, da Abril Vídeo (embora em VHS, é uma fonte ótima sobre o assunto), tal como livro de Gernet nos dá algumas indicações desta conturbada convivência. No século 20, porém, a China passou pela revolução comunista – e sua luta contra a religião alienante tornou-se um dos motes principais do partido. E o que era o Tibete de 1950, quando os chineses se lançam a ele? Era uma nação teocrática, calcada numa espécie de feudalidade, em que existia servidão e escravidão em larga escala para sustentar o monacado; não existiam escolas ou hospitais, e esta nação espiritual era fechada ao resto do mundo. No início, o próprio Dalai Lama flertou com o comunismo, ratificando a invasão. Se alguém tem razões para discordar sobre o que estou dizendo, leiam o estudo de Remi Kaufer na revista “História Viva”, n. 50, dezembro de 2007 (https://ssl430.locaweb.com.br/clubeduetto/loja/detalhe_produto.asp?ctgr=19&prdt=650 ). Este é apenas um dos muitos textos que NÃO SÃO lidos pelos simpatizantes da causa tibetana. O que é mais interessante nesta história é que este texto foi produzido por um ocidental – ou seja, o senso comum prefere apenas os textos que, usualmente, afirmam o que ele gosta de ouvir.

Quem quiser exercitar seu senso crítico, veja então o filme “7 anos no Tibete” e “Kundum”; ambos são favoráveis ao Dalai Lama, contando a sua história de vida. É notável, porém, que um filme NÃO faz menção ao outro. Como pode isso? Como, num momento, o Dalai Lama tem um grande amigo austríaco que simplesmente desaparece no outro? O que fica claro é um problema sério de construção histórica nos dois, mas as pessoas não gostam de pensar nisso – afinal, elas podem ser obrigadas a mudar de idéia.

A história recente do Tibete é, portanto, uma história de combate e violência sim – milenar, no caso destas duas civilizações. Há guerrilhas tibetanas, como há também uma dura repressão por parte dos chineses. Lembremos; na época da luta entre comunistas e capitalistas, ambos os lados cometeram excessos. Os chineses investiram diretamente contra o sistema político-religioso do país, expulsando o Dalai Lama, perseguindo e desarticulando a estrutura monástica e servil da sociedade. Passadas várias décadas, o mesmo Dalai Lama tem vinculado um discurso religioso pacífico e mediador, o que nos permite elocubrar o quanto ele repensou sua posição como líder.

O desafio, porém, é saber o que o Tibete quer agora. Com escolas, hospitais, serviços públicos, uma economia em desenvolvimento e um sistema de trabalho que aboliu a servidão e a escravidão, parte substancial da população não têm se movimentado politicamente como era de se esperar. Protestos recentes ocorridos no país – e reprimidos pelo governo chinês – foram, porém, isolados e pouco expressivos em termos numéricos. Será que os tibetanos querem a volta do regime teocrático? Esta é uma boa pergunta, que talvez só pudesse ser respondida com a libertação total do Tibete. No entanto, acredito que o sentido final deste pequeno texto é o seguinte; para nós, brasileiros, que mal conhecemos a história destes dois povos, é necessário um cuidado extremo com a formação de nossas opiniões. Afinal, alguém aqui concorda também com a tão falada internacionalização da Amazônia? Temos, talvez, um problema semelhante com as comunidades indígenas como o que os chineses têm com os tibetanos. Como lidaremos com isso? Se entendermos ser uma questão de foro nacional, então o mesmo critério deve ser aplicado ao caso tibetano.

7) Taiwan
Mais uma questão polêmica... A República da China – Zhonghua Minguo, nome oficial desta ilha que os próprios habitantes chamam de Taiwan – surgiu no colapso do governo em 1949, quando os comunistas tomam o poder na área continental. Jiang Jeshi (Chiang Kaishek), conhecido até então por ser um dos governantes mais incompetentes da história, consegue perder o país mesmo tendo apoio americano. Foge, então, para a ilha de Formosa (o belo nome que os portugueses deram a Taiwan, no passado), deixando para trás muita gente, mas levando consigo grande parte dos tesouros artísticos e uma substancial quantia de dinheiro do país. Chiang seria protegido pela marinha americana, e os chineses comunistas decidiram não se opor a isso – faltava-lhes construir um novo país, além do receio da nova arma americana, a bomba atômica. O teste de forças viria mais tarde, na Coréia, onde a China conseguiu um empate com os Estados Unidos – mas isso ainda não era o suficiente para garantir uma bem sucedida invasão na ilha.

Chiang conseguiu, assim, sustentar a criação de um país – o seu próprio – que até então não existia. Numa lição de história que parece só acontecer nas plagas do oriente, Chiang, no entanto, parece ter aprendido com os erros anteriores, se emendado e iniciando uma administração econômica relativamente bem sucedida. Recursos ele teve de sobra; afinal, os EUA se preocuparam em conquistar espaços na Ásia contra a expansão do comunismo, fornecendo ajuda a ilha no mesmo movimento de auxílio à reconstrução da Coréia e do Japão. Ainda assim, Chiang foi um ditador, praticando também um regime de partido único (que ele tanto criticou no comunismo), mas sem mobilidade de poder. Ele simplesmente administrou o país enquanto quis (ou pode), tendo o Guomindang (ou Kuomintang, Partido Nacional da China) em suas mãos, e só abandonando o poder para entrar no túmulo em 1975 – mas deixando-o nas mãos do filho.

Neste meio tempo, Taiwan nunca reconheceu o governo chinês continental, tratando-o como província rebelde (os comunistas fizeram o mesmo), mas também nunca conseguiu apoio internacional para seu reconhecimento como a verdadeira república da China. Em 1971 eles perdem, inclusive, o assento no conselho mundial de segurança, cedido a República Popular da China. Para piorar a situação, o Guomindang se recusava a realizar eleições populares, tentando manter o poder a todo o custo. Em 1987, finalmente, acontece o processo de democratização (com a morte de Jiang Jingguo, filho de Chiang), com eleições internas (ainda assim, 2 anos depois do Brasil), mas o pleito popular só ocorre em 1996, com a vitória da situação.

A partir de 2000, porém, o Guomindang perde as eleições, e desde então não ganhou mais. Isso representou, para Taiwan, a constatação de um dilema, que está longe de perfazer a crise propagandeada pela mídia ocidental; devemos ser um novo país ou nos integraremos novamente com a China continental?

Os defensores da autonomia Taiwanesa defendem a construção de uma nova república, de modo a findar com a anacrônica situação política e internacional que vivem. Taiwan é reconhecido por pouquíssimos países como a “China real”, e pouco pode ser feito para reverter este quadro. Com a economia funcionando, a sociedade prevê que pode alcançar uma excelente qualidade de vida, abrindo mão de um status político desnecessário.

Por outro lado, um movimento forte de re-integração surge na ilha. Satisfeitos com a experiência “um país, dois sistemas” empregado em Hong Kong e Macau, alguns taiwaneses já observaram inúmeras vantagens econômicas no reatamento das relações entre as duas regiões. Diga-se de passagem, uma quantidade substancial dos investimentos feitos na China continental tem vindo de Taiwan. A única dúvida fica por conta do estatuto político e jurídico da sociedade – não se imagina qualquer tipo de “acerto de contas” em função do passado.

Muito tem se dito sobre as ameaças chinesas de invadir a ilha, mas quem olhar o número das forças comunistas verá que tal afirmação é descabida. A China popular tem uma razoável força de defesa, mas uma pífia força de ataque. Quase nenhum investimento foi feito em navios, armamentos ou tecnologias para desembarque na ilha, como alardeia os EUA; confiram no “China por toda a parte”, da coleção “Cadernos Adenauer”, vol. 1, 2006. Na verdade, deveríamos nos preocupar com a reativação da IV frota americana do Atlântico Sul (http://diplo.uol.com.br/2008-07,a2500 ). Além disso, para que bombardear um território produtor de tecnologias, bem sucedido economicamente e separado por uma circunstância histórica?

O jogo de relações que envolvem Taiwan deve ser medido com bastante cautela; se em 2005 os chineses mostraram seus dentes ao país, defendendo uma lei “anti-secessão”, a situação hoje mudou bastante. A volta da ilha, pois, é pensada a longo prazo por ambas as partes, e a união resultante disso é bem mais interessante que o conflito. Os únicos realmente interessados nos distanciamento de Taiwan da China são os EUA e o Japão, que perderiam um ponto de apoio no restante da Ásia. Apostar na guerra é, neste caso, inclinar-se então para uma solução artificial, violenta e destrutiva que nada agrada aos chineses, e que não foi inventada por eles...

8) É impossível estudar chinês
Para saber se o chinês é difícil ou não, deve-se antes de tudo estudá-lo. Ele é a língua mais fala e escrita em todo mundo, ao contrário do que se imagina (a preeminência do inglês é um fenômeno moderno, vejam os números em qualquer site ou fonte fidedigna, como esta:(http://web.archive.org/web/19990422232636/www.sil.org/ethnologue/ ). No entanto, quem sabe ao menos uma palavra deste idioma? O chinês é uma língua radicalmente diferente da nossa, e por isso mesmo, pode causar certa estranheza no início. Por outro lado, sua estrutura é simplíssima, como já constatou quem começa a aprender alguma coisa do idioma.

Por exemplo: o chinês não tem flexões verbais. Se você quer conjugar o verbo “ser”, dirá algo semelhante a “eu ser”, “tu ser”, “ele ser”, etc. Como se diz, então, “eu era professor”, ou “eu fui professor”? Pode-se usar, por exemplo, “eu, tempo atrás, professor” (nem precisa usar o verbo!) ou ainda, “eu ontem ser”, e tudo isso se você não quiser uma partícula (“Le”), que indica o passado – e que é usada em igual para todos os verbos e pronomes.

Do mesmo modo, todos os objetos são neutros e classificações são neutras, a não ser que você utilize designações (como “quente ou frio”, “macho ou fêmea”, etc.) para designar casos específicos.

Além disso, o chinês escrito, por ser ideogramático (representado por símbolos, e não por sinais alfabéticos), pode ser aprendido por qualquer pessoa sem que ela saiba pronunciar qualquer um dos ideogramas! É o mesmo tipo de estrutura adotada, em parte, pelos sistemas LIBRAS para comunicação com pessoas com necessidades auditivas especiais. Ou seja, o chinês é a língua instrumental perfeita, com um potencial de difusão incrível – talvez essa seja uma das razões pelas quais ele sobreviveu tanto tempo. Para quem quiser saber mais, um bom site em português: http://www.a-china.info/curso . Uma sugestão de leitura é o livro “Ideogramas e a cultura chinesa”, de Tai Hsuan An, que contém uma apresentação histórica de alguns ideogramas básicos da língua chinesa.

Mas o chinês tem, consigo, o argumento fundamental de sua praticidade: o número de usuários.

9) Socialismo de Mercado ou Capitalismo Estatal?
Tomarei a liberdade de reproduzir, aqui o trecho de um texto que escrevi recentemente e que em breve publicarei nesta página.

Verticalizada por uma estrutura milenar política que desde cedo organizou as forças produtivas da sociedade, a China oferece ao mundo de hoje uma proposta inteiramente nova de organização política e econômica – ainda que calcada em formas ancestrais. Como já dizia o sábio Confúcio 6 séculos a.C., “mestre é aquele que, por meio do antigo, revela o que é novo” – e é isso exatamente que o país está fazendo. A China sofreu a experiência trágica do colonialismo, e decidiu responder a ela adotando a teoria marxista. As razões para isso são claras; em primeiro lugar, os chineses do início do século 20 sabiam que precisavam se modernizar (tecnologicamente), à maneira ocidental, mas não o queriam fazer por meio do capitalismo – teoria individualista e malévola responsável pelo mesmo colonialismo vil que se instalava em seu país; além disso, o regime imperial não havia conseguido manter-se, tanto por ser estrangeiro (manchu), quanto por não ser flexível e adaptável, como ocorreu no caso do Japão Meiji; e, por fim, o marxismo defendia que os seres humanos eram iguais, seus direitos seriam universais e que a razão de existência do trabalho era a formação de uma comunidade perfeita (o comunismo), sistema que para os chineses parecia constituir, simplesmente, a realização de suas milenares utopias camponesas! Além disso, o marxismo parecia mais equânime e gentil com a antiga civilização chinesa, desrespeitada acintosamente pelos preconceitos raciais e étnicos do século 19.

O que a China fez, pois, foi construir um marxismo próprio, re-interpretado por suas orientações filosóficas seculares, cujos conflitos internos se deram em função de radicalizações dentro do partido comunista chinês e da sociedade. Após a morte de Maozedong (Mao Tse Tung) em 1976, Deng Xiaoping orientou o país numa nova espécie de socialismo, posteriormente conhecido por “socialismo de mercado”. Seu lema para a economia - “não importa a cor do gato, desde que ele apanhe os ratos” – já indicava que a proposta chinesa seria de recuperar o país e fortalecê-lo, através da construção de uma decisiva capacidade econômica e política, que intencionalmente modificaria certos paradigmas do marxismo-maoísta anterior;

"Classicamente, se assim podemos dizer - e na falta de um modelo alternativo - a China tomou para si as leis do mercado. Em 1987, depois do XIII congresso do PCC, Deng Xiaoping teorizou esta conversão da seguinte maneira: "A planificação e o mercado não constituem as diferenças essenciais entre o socialismo e o capitalismo. Uma economia planificada não define o socialismo porque também há planificação no capitalismo; a economia de mercado existe no socialismo. Planificação e mercado são, portanto, duas maneiras de controlar a atividade econômica" (Bulard, http://diplo.uol.com.br/2005-08,a1150 )

E o que vêm a ser, então, este modelo chinês? Alguns autores gostam de classificá-lo, talvez apropriadamente, de “capitalismo estatal”. Isso significa que o sistema chinês defende uma vasta inserção no mercado internacional, mas suas bases industriais recebem apoio direto do Estado. Este busca intervir, regulando a economia com medidas protecionistas e oferecendo a infra-estrutura necessária para a instalação de fábricas e serviços dentro do país à preços baixíssimos. Leis sobre a remessa de lucros são diligentemente aplicadas às multinacionais, cujo poder de barganha se dilui diante da imensidão deste mercado. Obviamente, alguns problemas surgiram na construção deste modelo. O campo, sustentáculo da vida chinesa, está sofrendo com a evasão de mãos de obra, de financiamentos e com a poluição. As zonas econômicas especiais, centro de industrialização especialmente planejados para esta função, tem um custo de vida bem superior ao do resto do país, aumentando a desigualdade. Estes problemas terão que ser resolvidos em breve, para que este modelo continue sustentável. Como dito antes, a China tem dado um estatuto especial de negociação a países emergentes – como no caso da Índia, mas também, do Brasil e de países africanos – para a criação de uma rede de economias complementares, que equilibrem as relações de mercado. Os principais perdedores neste jogo tem sido os EUA, que tem contabilizado déficits sucessivos em relação ao comércio com a China.

Mas o que significa, pois, o modelo chinês para o resto do mundo? Se politicamente ele parece “antidemocrático”, seu sucesso em beneficiar a sociedade, como um todo, tem feito seus críticos relativizarem os defeitos do “socialismo de mercado”. O que incomoda sobremaneira aos neoliberais, é como os chineses aceitam a “privação de certos direitos” em troca da estabilidade econômica – algo que as periferias do mundo capitalista admiram com simpatia, posto que não constatam nenhuma diferença fundamental para com suas vidas cotidianas em relação a ausência política. A sociedade chinesa, unida por uma cultura de trabalho antiqüíssima, conseguiu construir e manter uma nova ordem interna que serve de paradigma para outras sociedades, inclusive os países órfãos do comunismo. Cuba manifestou há pouco tempo seu interesse, por exemplo, em adotar um sistema parecido com o chinês, agora que a ilha vive uma transição do governo Fidel para Raul Castro. Vietnã e a já citada Coréia do Norte têm tentado, na prática, algo semelhante. O principal trunfo do modelo chinês é o de ter nascido no período mais difícil do século 20, sendo resultado da mistura de um idealismo comunista quase fanático com o pragmatismo secular de sua cultura, capaz sempre – quando, e se necessário - de adaptar-se as exigências da geopolítica mundial. Testado no maior laboratório vivo do planeta Terra, ele é responsável por administrar a vida de aproximadamente 1 bilhão e 300 milhões de pessoas – tudo, aqui, é feito em números astronômicos, e precisa realmente ter alguma valia. Tal condição, que impressiona qualquer um, é a maior propaganda deste regime.

10) Mao era mau?
Podemos avaliar figuras históricas? César foi um facínora ou um grande líder? Qual é a distância de espaço e tempo que precisamos para julgar alguém de forma positiva ou negativa? As biografias recentes de Mao, volumosas, preocupam-se muito com seus aspectos negativos, mas deixam de lado suas realizações. Há que se perguntar, pois, até onde gostamos de fofocas ou de nos escandalizar com o lado pessoal de um líder. Jonathan Spence fez um biografia muito honesta do líder (“Mao”, 2000), que merece ser lida. Dennis Bloodworth, no seu livro “A Imagem da China” (1969) traça um quadro quase premonitório sobre o que seria a figura de Mao na sociedade chinesa: se aprovado, viria a ser um novo “Maozi” (mestre Mao), mas se não, tornar-se-ia um vilão da história como muitos houveram.

Vivemos na época em que tais pontos se definirão. Por isso, talvez seja mais adequado fazer uma lista dos atos de Mao, antes de definí-lo como uma absoluta encarnação do “Mal” ou, como uma sumidade benfeitora da China. Mao foi um homem, lutou enquanto pode, ficou senil na velhice e fez muito pelo maior país do mundo. Avaliemos, então o que pode ser constatado pelas fontes disponíveis:

PONTOS POSITIVOS
1) Mao devolveu a liberdade a China, e a reconstruiu após décadas de invasão e espoliação estrangeira.
2) Mao fez uma revolução popular, e o comunismo só aconteceu na China graças ao apoio do campo – a massa da população chinesa abominava o governo republicano, e não conquistou com ele nenhum benefício.
3) O início da recuperação econômica chinesa foi equilibrado, ajudando a superar crises de fome.
4) Educação, saúde e liberdade feminina foram promovidas pelo seu governo. A qualidade de vida chinesa melhorou substancialmente. Os índices de analfabetismo foram drasticamente reduzidos.
5) A China de Mao ofereceu junto com a Coréia do Norte, na década de 50, a primeira decepção para as pretensões expansionistas americanas no resto do mundo. Mao, aliás, perdeu um filho nesta guerra – nenhum privilégio ou posto lhe foi concedido por ser parente do grande líder. Depois, apoiaram o Vietnã novamente contra os EUA, e o resultado é conhecido.
6) Mesmo sendo comunistas, os chineses se distanciaram da União Soviética quando julgaram necessário, defendendo um entendimento próprio das teorias marxistas. Esta foi a base do modelo que eles criaram, desenvolveram, e que sobreviveu após a queda da URSS em 1989.

PONTOS NEGATIVOS
1) Mao mostrou-se um péssimo administrador depois da década de 50, lançando o país em desastrosas campanhas econômicas.
2) Sua capacidade de dialogar com a oposição era limitadíssima, como ficou evidenciado na campanha das Cem Flores, no período da Revolução Cultural ou mesmo na repressão política.
3) Mao era mulherengo e péssimo pai de família.
4) Mao invadiu o Tibete (ressalva: leia o texto acima sobre a questão – inseri este item aqui apenas para constar, de acordo com um ponto de vista ocidental).
5) Ao brigar com a URSS, Mao achou conveniente se aproximar dos EUA para manter o equilíbrio mundial. Contradição ou jogo político?
6) Mesmo tendo uma vida digna, o nível de vida da maior parte da população chinesa era economicamente exíguo e sem uma vasta liberdade política (novamente, entendida em nossos termos ocidentais – na época, o “mundo livre” estava repleto de ditaduras). Várias vezes esse equilíbrio frágil foi ameaçado por colheitas ruins ou produção deficitária.

Ao analisar estes pontos, deixo a cargo do leitor decidir o que ele entende ser mais importante para qualificar Mao de alguma forma. Ainda que eu acredite ser uma armadilha realizar este tipo de avaliação histórica, Mao tem um legado tremendo; afinal, ele recolocou a China entre as grandes nações do mundo. Resta-nos também buscar o que os chineses acham disso – eis um fator fundamental para compreender como a mente deles opera neste sentido, fator que negligenciamos de modo acintoso quando nos propomos estudar uma outra civilização!

Conclusão
Nem sinófilo nem sinófobo – apenas estudo a China. Mas sim, gosto dela – se não for assim, para que estudá-la? Ao buscarmos entender a China, dos depararemos com todo o tipo de coisa; surpresas agradáveis, situações e conceitos incômodos, etc. Isso somente nos serve se soubermos, com este vasto conjunto de experiências, tirar algum proveito. O paradigma de uma civilização antiga pode nos servir de ilustração, quando os diversos obstáculos que precisaremos superar surgirem, até realizarmos por completo o potencial que temos. Neste caso, é bom, então, que busquemos um conhecimento mais claro sobre o outro lado do mundo. Toynbee, em seu “Estudo da História”, colocava a China como um dos modelos da humanidade – talvez seja hora de prestar um pouco mais de atenção em algumas dessas idéias.


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Em tempo: A Grande Muralha NÃO PODE SER VISTA DO ESPAÇO A OLHO NU! A Muralha tem algo entre 8 metros de altura, e uma largura em torno disso. Ela é vísível, a olho nu, no máximo a 2 ou 3 quilômetros. Do espaço, só com telescópios. Esta é uma balela consagrada.

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