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O Massacre de Nanquim - um prelúdio do Holocausto

Este Artigo foi publicado no número 21 da Revista "Leituras da História", 2009.

Alguns estudiosos da 2ª Guerra Mundial costumam afirmar que ela começou, de fato, não em 1939, mas em 1937, quando o Japão atacou a China. A conquista não foi absolutamente fulminante, mas mostrou a fragilidade do governo chinês da época, incapaz de combater de modo eficaz os inimigos estrangeiros. Ao mesmo tempo, os guerrilheiros comunistas liderados por Maozedong (comumente conhecido como Mao Tsé Tung) ganhavam campo junto às áreas rurais pobres, tornando o país um imenso campo de batalha.

Foi neste contexto caótico, então, que uma das maiores tragédias do século 20 começou a se desenhar, o Massacre de Nanquim (Nanjing). Ocorrido entre o final de Dezembro de 1937 e Fevereiro de 1938, o ataque à cidade de Nanjing tornou-se um dos episódios mais vergonhosos do conflito, sendo marcado pelas atrocidades cometidas pelo exército japonês contra a população local e caracterizando uma prévia do que seria o holocausto europeu. O massacre acabou sendo conhecido também como o “Estupro de Nanjing”, dado o número abjeto de crimes e violência sexual praticados contra os habitantes da cidade. O que veremos neste breve texto, portanto, é como o massacre de Nanjing ocorreu, e acompanharemos a sucessão de erros do governo chinês da época que levaram a este desfecho trágico, marcando até hoje a memória de ambos os países.


OS ANTECEDENTES
A China da época era uma nação em processo de reconstrução. Após o império mais antigo do mundo terminar, em 1911, o movimento republicano liderado por Sun Yatsen tomou o poder no país, mas a quantidade de dificuldades a superar era enorme. A China havia sido espoliada pelas potências européias, sofria uma grave crise econômica e encontrava-se dividida, nas áreas rurais, em pequenos Estados autônomos liderados por latifundiários que se auto-intitulavam “Senhores da Guerra”, em função dos pequenos exércitos particulares que mantinham para assegurar seu poder.

A política externa chinesa também era completamente indefinida: os chineses sabiam que precisavam modernizar-se tecnologicamente para entrarem no mercado mundial e fazerem frente ao crescente imperialismo japonês, mas tinham um grande receio em recorrer aos europeus, com os quais tinham sérios atritos. Uma solução começou a surgir após a revolução socialista na Rússia em 1917, que despontou como uma potência não alinhada com o capitalismo mundial. Além disso, os russos tinham suas rusgas com os japoneses (com os quais tiveram uma guerra fracassada em 1905), o que se tornava um fator bastante conveniente para esta aliança. Quando Sun Yatsen morreu em 1925, o seu substituto era um oficial que havia estudado em Moscou e que aparentemente estava preparado para resolver a crise interna chinesa. Seu nome era Chiang Kai Chek, e o destino da China parecia estar em suas mãos.

Empregando os conhecimentos adquiridos na União Soviética, Chiang conseguiu reorganizar alguma coisa do precário exército chinês, empregando-o contra os “Senhores da Guerra” de forma relativamente eficiente. A submissão destas milícias foi propagandeada com enorme sucesso, mas a verdade estava bem longe disso: muitas dessas forças eram fracas, desorganizadas, e o próprio Chiang fez uma série de acordos com alguns destes latifundiários, mantendo-os no poder como líderes locais do Guomindang (Partido Republicano Nacionalista) – algo que lhe custaria muito caro no futuro. Mas os tropeços de Chiang não pararam por aí. Em 1927, ele persegue e massacra o partido comunista chinês (que o apoiava), pondo-o na clandestinidade e dando ensejo à formação da guerrilha cujo grande comandante seria justamente Maozedong. Além disso, ele tentou formar uma aliança míope com alemães e italianos, sem perceber o alinhamento gradual destes com os japoneses, e ao mesmo tempo buscava cultivar as indefinidas relações construídas com os russos. Obviamente tal situação era impossível de se manter por muito tempo, mas Chiang acreditava poder barganhar até se consolidar no poder e acabar com a oposição interna. Por conta disso, seu governo pouco fez contra a agressão japonesa em 1931 a Manchúria. Obcecado em acabar com os comunistas, e apoiado por um governo em que grassava a corrupção e bagunça, Chiang começou a dificultar sua própria posição.

Um exemplo clássico do despreparo do governo chinês na época foi a criação da academia de força área, construída com a ajuda de instrutores italianos. A Fiat conseguiu vender para a China aviões obsoletos, incapazes de combater a aeronáutica japonesa. Além disso, os pilotos formados eram, em geral, filhos de nobres, industriais ou da elite do país, e muitos recebiam o brevê de combatente sem ao mesmo saber pilotar um avião! Tal situação só ocorria em função das inúmeras ingerências perpetradas pelos líderes políticos com os quais Chiang mantinha uma frágil aliança, o que só dificultava a organização do país. A missão militar alemã - responsável, igualmente, por treinar o exército do país - teria entregue as principais posições chinesas nos momentos decisivos dos conflitos que se avizinhavam. Os objetivos da política chinesa não estavam claros, e pareciam muitas vezes basear-se na oportunidade e numa pretensa capacidade de negociação. Os acontecimentos de 1937, porém, iriam mostrar que eles estavam completamente errados.


O ATAQUE JAPONÊS DE 1937
A política expansionista japonesa já vinha atuando sobre a China desde 1894, quando do primeiro conflito moderno entre os dois países. Vindos de uma rápida revolução industrial e social, o Japão desejava obter novas fontes de matérias-primas e aumentar sua influência na Ásia, criando assim uma política militarista e violenta (ver box). Por conta disso, sucessivos conflitos foram ocorrendo já no início do século 20, quando os japoneses derrotaram sucessivamente os russos, coreanos e chineses, apossando-se de imensas extensões de terra no continente. Como foi dito, em 1931, o Japão já mantinha o controle sobre o norte da China, na Manchúria, criando um Estado fantoche governado por Puyi, o último imperador chinês que havia sido deposto em 1911. Assim sendo, um novo conflito era apenas questão de tempo, e os chineses contavam estar preparados para quando esta ocasião chegasse.

Tanto os japoneses quanto Chiang viram esta oportunidade surgir quando um incidente banal perto de Beijing (ou Pequim, no norte da China) acirrou os ânimos e deslanchou para uma guerra aberta. Chiang acreditava ter uma estratégia brilhante para resolver rapidamente o conflito: ele atacaria os japoneses instalados no sul do país, em Xangai, desviando sua atenção, e ao mesmo tempo forçando o seu deslocamento para fora do continente através do mar. O problema é que Chiang não contava que os japoneses já tinham também uma estratégia definida, baseada num ataque rápido e decisivo semelhante a idéia de Blitzkrieg empregada depois pelos alemães. Além disso, é bem possível que os mesmos alemães tenham revelado os planos de ataque e defesa aos japoneses, o que frustrou de todas as formas as iniciativas chinesas. O despreparo chinês começou a ficar evidente: a força aérea chinesa bombardeou os civis de Xangai, e não os alvos militares, além de ser praticamente toda derrubada num curto espaço de tempo; do mesmo modo, esperando o ataque, os japoneses se entrincheiraram em Xangai, liquidando mais da metade do exército regular chinês. O espaço para ofensiva estava aberto, e agora o exército imperial do Japão encontrava-se pronto para ditar as regras do jogo.


O ATAQUE A NANJING
O que restava das forças chinesas começou a recuar, então, para uma das velhas capitais imperiais, Nanjing, conhecida no Ocidente por “Nanquim”. O caos resultante da chegada dos soldados fugidos e da aproximação dos japoneses começou a instaurar a anarquia na cidade. Ainda assim, Chiang acreditava poder defender Nanjing, prometendo ao povo da China, em cadeia nacional, que ele nunca a entregaria aos japoneses. Por conta disso, Chiang cometeu mais um erro fatal: nomeou Tang Shengzhi, um ex-“senhor da guerra” para organizar as defesas da cidade, ignorando seus oficiais mais experientes em função de um favoritismo mal calculado. Como afirmou o sinólogo Jonathan Spence no livro “Em busca da China moderna”, Tang não nutria qualquer tipo de lealdade mais profunda a Chiang, e sempre preferia dar ouvidos aos conselhos de seu médium budista particular. Ao aceitar o cargo de defender Nanjing, Tang pareceu na verdade querer angariar a simpatia pública, ao invés de realmente atentar para o problema. Quando constatou a situação deplorável em que Nanjing se encontrava, mudou de idéia e simplesmente abandonou, junto com o oficialato, a cidade que jurara defender “até a morte”.

O terror se apoderou dos civis e dos soldados, que começaram a abandonar roupas e armas com medo de serem feitos prisioneiros dos japoneses. Os mesmos japoneses decidiram transformar Nanjing numa grande fogueira, imprimindo um caráter apavorante em sua conquista. O objetivo desta prática de horror era, obviamente, vencer a guerra psicológica e imprimir nos chineses um sentido absoluto de superioridade das forças japonesas.


COMEÇA O MASSACRE
Ao abandonar a cidade, Tang a deixou incapaz de defender-se a si mesma e ainda, impossibilitou qualquer reação por parte das forças de Chiang. Os japoneses se viram, então, com total liberdade para iniciar o massacre sistemático da população.

Vários motivos são colocados para justificar a crueldade dos japoneses na época: o treinamento rigoroso e violento dos soldados, a incerteza em identificar os soldados chineses disfarçados de civis, o receio de se deixar para trás, inteira, uma cidade cujo potencial de resistência era enorme, a impossibilidade de sustentar uma grande massa de prisioneiros, enfim...muitas são as razões apresentadas para explicar a postura violenta do exército japonês, mas não existem argumentos para entender a crueldade perpetrada, de forma completa, contra mulheres, crianças e civis inocentes, senão a instauração de um clima de medo e terror absolutos.

O massacre começou a acontecer em 13 de dezembro de 1937, e desdobrou-se até o final de fevereiro de 1938, quando o alto comando japonês decidiu finalmente interferir. A relação dos crimes e humilhações praticadas neste massacre pode ser encontrada no denunciador estudo de Iris Chang, “The Rape of Nanking: the forgotten holocaust of World War II”, de 1997. O começo do massacre deu-se quando os japoneses começaram a matar todos os prisioneiros chineses, tanto pelo receio de serem soldados disfarçados quanto pela desprezível fraqueza com que estes teriam se entregado. Para os militares japoneses, treinados para lutar até a morte segundo um código de ética de inspiração samurai, a atitude de não resistência chinesa era tida como covardia, e merecia ser punida. Além disso, os oficiais japoneses eram complacentes com várias práticas de tortura e violência praticadas pelos soldados, tais como usar prisioneiros vivos para treinos de baioneta ou executar a degola com espadas; alguns inclusive competiam para saber quem decapitava mais cabeças num mesmo dia.

Os generais responsáveis pela invasão, Asaka Yasuhiko e Iwane Matsui, acreditavam que o impacto psicológico destas atrocidades facilitaria a conquista do país, e não fizeram absolutamente nada para disfarçá-lo – razão pela qual existe uma vasta documentação fotográfica deste episódio terrível.

Quando os corpos começaram a se amontoar, os soldados os queimavam ou os atiravam no rio, congestionando o tráfego fluvial com a quantidade incrível de cadáveres. Outro oficial, o general Shiro Ishii, responsável por experiências macabras com guerra bacteriológica e química na Manchúria, foi chamado a auxiliar no processo de extermínio da população local. Não se sabe ao certo qual foi a sua participação no episódio, mas este oficial, cujas habilidades só encontrariam par nos cientistas nazistas dos campos de concentração, terminou indo, com o final da guerra, para os Estados Unidos, onde forneceu aos americanos o vasto material de suas “experiências”.

Como se não bastasse, a soldadesca começou a estuprar sistematicamente mulheres e crianças chinesas, e o corpo dos oficiais criou um mercado de escravas sexuais que foram exportadas para prostíbulos militares japoneses em toda Ásia. Grupos de soldados eram “soltos” a qualquer hora do dia ou da noite para executarem sua ronda perversa: descobrir fugitivos, violá-los e matá-los. Como foi dito antes, esta é a razão pela qual este episódio da guerra também é conhecido como Nanjing Datusha (“O Estupro de Nanquim”). A violência sexual, aqui, foi usada propositadamente como arma de guerra.

Finalmente, após quase três meses, recuperando-se de um período prolongado de doença, o general Matsui voltou ao exercício pleno de suas funções e começou a se dar conta do total desgoverno das tropas japonesas em Nanjing; assim, em fevereiro de 1938 - fosse por iniciativa própria, ou por pressão do alto comando japonês, ele decidiu iniciar a evacuação da cidade e determinou o “fim dos combates”.


UM HOLOCAUSTO ESQUECIDO
Não se sabe ao certo o número de vítimas do massacre, mas não é exagero afirmar que pelos menos 200 mil pessoas foram mortas neste episódio terrível. As fontes chinesas costumam alegar que foram 300 mil vítimas, número presente em seu memorial ao massacre, enquanto as fontes japonesas buscaram, a todo custo, minimizar a matemática macabra do evento. No entanto, o episódio do massacre de Nanjing também legou para a história que, mesmo em seus piores momentos, é possível o surgimento de atitudes humanitárias marcantes e exemplares. Uma destas oportunidades se concretizou na figura de Johannes (John) Rabe, representante do partido nazista na China. Por mais paradoxal que pareça vindo de um alemão que mantinha contatos estreitos com Hitler, Johannes ficou chocado com o massacre e começou a usar de toda sua influência para interferir no andamento do mesmo. Sua primeira atitude foi garantir a salvação, o isolamento e a segurança da “Área internacional”, perímetro da cidade no qual estavam situados alguns prédios diplomáticos e residências de estrangeiros; no seguir, liberou seu acesso a todos os chineses que lá quisessem se refugiar, garantindo que não seriam atacados pelos japoneses. Em alguns dias, algo em torno de 200 mil pessoas estavam abrigadas nesta parte da cidade, a salvo da fúria dos soldados nipônicos. Rabe fez mais: numa atitude inusitada, colocou sua braçadeira do partido nazista (já nesta época uma declarada aliada do Japão) e impediu, diversas vezes, que soldados atirassem em civis na cidade, levando-os para a segurança da “Área”. Provavelmente, esta foi uma das poucas vezes em que o símbolo nazista foi usado com propósitos humanitários. Outra missionária americana, Minnie Vautrin, conseguiu trazer para a zona de segurança quase 10 mil crianças e mulheres, tornando-se uma das mais ativas figuras na iniciativa de Rabe. Ambos deixaram diários completos sobre seu cotidiano nestes fatídicos dias, que são hoje uma preciosa fonte sobre o assunto.


A HERANÇA DO MASSACRE
A atitude japonesa em Nanjing surtiu um efeito contrário ao esperado, apenas reforçando o desejo chinês em lutar e expulsar o invasor de seu país. Chiang, por outro lado, mostrou-se pouco capaz de tirar partido do episódio, já que a confiança em sua pessoa, por parte da opinião pública, estava extremamente abalada. A dificuldade por parte do governo em organizar uma resistência sistemática ao Japão angariou, para os comunistas, a confiança da população de classes mais baixas, que se sentiam abandonadas em meio ao conflito. Como sabemos, o resultado final deste processo foi a vitória comunista, em 1949, e a expulsão de Chiang para a ilha de Taiwan com os seus últimos aliados.

O massacre, no entanto, não foi esquecido nem pelos chineses e nem pelos japoneses. Até hoje a China exige um pedido formal de desculpas e indenizações para famílias diretamente afetadas pela guerra. Quanto aos japoneses, um sentimento de desconforto com a questão é a postura mais comum, embora uma linha historiográfica revisionista tente defender a idéia de que o massacre nunca existiu, tal como ocorre na Europa com a questão do Holocausto (ver box2).

A lição do massacre nos possibilita enxergar, em linhas gerais, até onde o ser humano pode ir ao aceitar plenamente as regras do jogo internacional, buscando viver em meio a um mundo capitalista e competitivo, onde a supremacia deve ser alcançada a qualquer custo. O padrão encontrado no holocausto chinês e no europeu demonstram que, já no século 20, as ideologias atuaram de forma ativa e similar sobre a geopolítica do planeta, “globalizando” a prática do mal e do terror.

BOX 1 – o Expansionismo Japonês
Para entendermos as características do expansionismo japonês, é necessário, antes de tudo, compreender o papel das forças armadas neste processo. O Japão, após a Era Meiji, ocorrida no século 19 e que colocou o país em pé de igualdade com as grandes potências européias, carecia de uma falta crônica de matérias primas para alimentar suas indústrias. Raciocinando de modo similar à Inglaterra, França e outras grandes nações Ocidentais, o Japão resolveu investir na criação de um império colonial, iniciando um processo de expansão pela Ásia. Tal situação deu impulso a uma nova militarização da sociedade, que vivia ainda no vácuo intelectual e ideológico da dissolução da classe dos samurais. Não só o exército japonês buscou se transformar numa força de elite como também, os generais japoneses ganharam uma importância política fundamental, já que só deviam prestar obediência ao imperador. Na prática, isso lhes concebeu um grande poder de negociação e uma tremenda liberdade de ação política, dificilmente contida ou limitada pelo parlamento japonês. Se de alguma forma este processo se confirmou com as vitórias decisivas sobre a China ou a Rússia, o tempo mostraria, porém, que a ousadia e a temeridade dos oficiais japoneses haveria de transformar-se em algo irresponsável e inconseqüente, que levariam tanto a momentos chocantes quanto o massacre de Nanquim quanto a derrota para os EUA em 1945.


BOX 2 - O REVISIONISMO NO MASSACRE DE NANQUIM
Não é apenas na Alemanha ou na Itália que se busca “revisar” a história da 2ª Guerra Mundial. Alguns autores ocidentais e japoneses também procuram, até hoje, negar a existência do massacre de Nanjing. O teor de quase todas estas acusações é o mesmo: o massacre teria sido fabricado pela mídia chinesa, as imagens e fontes são falsas, tudo se trata de uma grande conspiração contra o sucesso econômico e social japonês. De fato, até hoje o governo nipônico se recusa a mencionar nos livros escolares o episódio - mas há que se perguntar que governo, em todo mundo, costuma admitir algum erro gritante em seu passado. A questão é tão conturbada que teria levado, inclusive, a autora Iris Chang (de “The Rape of Nanking”) a falecer em 2004 em função de uma depressão profunda, causada pelas inúmeras críticas ao seu livro. Mas até onde estas críticas são precisas ou válidas? De fato, é possível que alguns erros possam ser encontrados nos levantamentos feitos acerca do massacre, já que os testemunhos documentais, orais e textuais vêm de diversas fontes diferentes. Mas negar a existência do massacre, as fotos das crueldades praticadas pelos soldados, os testemunhos de pessoas que viveram na época (tanto chineses quanto japoneses), os diários de Rabe ou Vautrin, é tentar da forma mais grotesca possível tapar o sol com a peneira. Não se trata de imputar culpas: hoje muitos japoneses sentem vergonha dos atos das gerações passadas, bem como a maior parte dos chineses prefere já não tocar mais no assunto. Negar que o massacre aconteceu, porém, é atentar diretamente contra a história e abrir uma brecha perigosa para o ressurgimento da intolerância, do nacionalismo intransigente e da violência como uma prática socialmente aceita e válida.


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