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O Esquecimento



‘Não tema ser desconhecido, tema ser incompetente’, disse Confúcio. Mas ele disse também que era feliz aquele que tinha amigos vindos de longe, e que não se preocupava com reconhecimentos, como está na abertura das Conversas. Penso em como é ser esquecido, pois me ocorre agora que neste sistema vil que estamos a presenciar, a busca da sabedoria, mais do que nunca, está sendo vilipendiada pelo imediatismo e pela hostilidade de interesses obscuros. E quem busca o caminho está sendo posto de lado, esquecido, desprezado. O desejo de servir ao mundo não se concretiza, e parece não haver escapatória para o exílio social. Pergunto se me fiz esquecer porque busco a sabedoria ou porque sou incompetente, e não sei responder. Se fosse incompetente, seria mais fácil destruir o orgulho e aceitar, submisso, o repúdio dos outros. Às vezes parece, porém, que meus ‘talentos’ são reconhecidos. Ser reconhecido por outros incompetentes não é mérito algum; mas se há alguma virtude em mim, e essa é tão posta para escanteio que não faz sentido a ninguém aproveitá-la, o que fazer com ela?

Nas épocas em que os sábios – ou apenas, os buscadores – são tratados de forma tão displicente e mesquinha, é possível então que seja o momento de me retirar, como fez o velho Confúcio.

Contudo, suportar as indignidades, para sustentar a família, também é uma virtude. Então, qual dessas virtudes deveria prevalecer? Eis aí, novamente, um desses momentos que evidencia a longa distância que estamos da sabedoria, posto que não temos resposta para isso. Todavia, ser esquecido parece também ser uma fonte de sossego. O amplo esquecimento desaproveita os talentos de um buscador do caminho, mas igualmente o priva, beneficamente, das disputas terríveis do poder. Sendo assim, talvez não seja bom para a saúde do mundo esquecer o sábio, mas é bom para ele ser perdido. Me pego agora, de repente, desejando o ostracismo – e parece ser excelente nos dias de hoje ser desconhecido.

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