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Dong Zhongshu, um eclético da Dinastia Han - 2004

Após o período violento da era Qin a China viu surgir, em fins do século III a.C., o surgimento de uma das mais poderosas dinastias da história desta civilização, os Han. Um dos primeiro atos destes novos soberanos foi restituir a dignidade à escola dos letrados de Confúcio, elaborando uma grande exegese na recuperação dos textos antigos e concedendo-lhe um lugar importante junto à corte, recrutando entre seus discípulos conselheiros, funcionários, etc. No entanto, o período Han foi também conhecido por uma grande tolerância para com os outros sistemas filosóficos, o que terminou por criar um ambiente de intensa troca entre pensadores, teorias e sistemas, gerando toda uma leva de novos sábios marcados essencialmente pelo ecletismo de suas propostas.

Um dos primeiros a se destacar neste panorama foi Dong Zhongshu, talvez o mais importante filósofo do século II a.C. Seu trabalho centrou-se basicamente na realização de uma fusão entre o pensamento cosmológico e o letrado, e na organização de uma ideologia imperial Han estruturada neste “confucionismo modificado”, o que obteve grande sucesso em sua época. Dong teria tido também uma grande influência sobre Sima Qian, o grande historiador chinês que redigiu o Shiji neste mesmo período.

Sua teoria consistia em realizar uma fusão entre a idéia dos ciclos naturais apresentados pelos cosmológicos e a estrutura da sociedade, estabelecendo categorias nas quais os grupamentos humanos poderiam ser organizados através de suas relações energéticas (CQFL, 56, 57). Assim, a História chinesa poderia ser explicada como uma mudança de fase (xing) que se operava tanto na natureza como na política, pois ambas eram regidas pela mesma lei. A dinastia Qin, por exemplo, que era “água”, foi tragada pela dinastia Han, que era “terra”, cumprindo o ciclo de aniquilação proposto pela relação dos wuxing. Da mesma forma, o ciclo yin-yang é representado pela figura do imperador que seria o Pai, o princípio yang ativo que mantém sua contraparte, o súdito ou a família (yin), sendo o sustentáculo cósmico e ordenador natural de toda a sociedade, tal como Confúcio já havia proposto.

Dong Zhongshu acreditava, no entanto, numa autonomia do indivíduo. Para ele, cada ser é um compósito específico dessas cinco fases, regido por um li (princípio) que o estrutura e manifesta. Por isso mesmo, os seres devem ser regulados pela educação e por uma série de virtudes morais diretamente trazidas do confucionismo: Ren (humanismo), Li (ritual), Yi (conduta), Zhi (sabedoria) e Xin (confiança). A hierarquia social deveria ser regida, pois, por aquele que melhor manifestasse e realizasse o seu princípio individual, e não haveria nenhuma ordenação que não fosse assim baseada senão no critério único da sabedoria e do caráter moral.

Embora Dong tenha sido o grande ideólogo do poder Han, dando-lhe uma justificativa ética e cosmológica, podemos aí perceber um grande avanço na identificação da individualidade humana (e de todas as coisas, em geral) através de uma explicação científica para as diferenças entre os seres. Dong consegue açambarcar as percepções do daoísta Zhuangzi sobre a questão, e ainda encerra o problema da natureza humana proposto por Mengzi e Xunzi, afirmando que cada ser possui, em maior ou menor grau, o bem e o mal dentro de si.(CQFL, 37).



Bibliografia Indicada:

CQFL = Chunqiu Fanlu (Jóias Preciosas das Primaveras e Outonos), de Dong Zhongshu.

ARBUCKLE, G. “Five divine lords or one (human) emperor? A problematic passage in the material on Dong Zhongsu”. in The Journal of the American Oriental Society. Vol. 113. n. 2. United States, 1993

CHAN W. T. Sources of Chinese Tradition. Columbia: CUP, 1960.

CHENG, A. Historia del pensamiento chino. Madrid: Bellaterra, 2003.

JOPPERT, R. O Alicerce Cultural da China. Rio de Janeiro: Avenir, 1979.

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