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Os Lógicos chineses - (2000)

Os Lógicos, também chamados de nominalistas ou “sofistas chineses” eram mestres no discurso e na linguagem, acreditando que o uso das palavras era importante para a vinculação das idéias, mas que, ao mesmo tempo, elas possuíam autonomia sobre o real, podendo proporcionar construções díspares. Entre seus autores mais eminentes estiveram Gongsunlong e Huizi, este último grande amigo de Zhuangzi, com o qual mantinha intrigantes diálogos. Muitas de suas máximas estão espalhadas pelo livro do sábio daoísta, que o tinha em alta estima por sua inteligência, argúcia e sensibilidade.

Os paradoxos propostos por Huizi guardam muita semelhança com seus contemporâneos gregos. Seu objetivo era demonstrar que, pelo uso correto e intencional dos termos e denominações, podemos fazer as mais abstratas construções, destruindo os sistemas lógicos pela deturpação das premissas básicas. Foi assim que Huizi produziu frases como: “O que é infinitamente grande não tem nada que lhe seja exterior; e o que é infinitamente pequeno não tem nada que lhe seja interior”; “O que não tem espessura não pode acumular-se, mas pode ser estendido”; “Se um bastão de um pé de altura for divido, a cada dia, em dois, continuará assim por uma infinidade de gerações”; “O vôo de uma flecha lançada rapidamente se compõe de espaços que não estão em movimento nem em repouso” e “No momento em que se nasce, começa-se a morrer”.

Mas qual era o ponto principal deste discurso? A relatividade das coisas. Tudo é relativo, e por isso as idéias não se ligam diretamente à realidade, mas apenas suscitam processos na mesma. Não há uma separação absoluta entre as coisas. Se um animal é morto, por exemplo, ele deixa de existir enquanto animal, mas se transforma em alimento para outro. Logo, os estados são transitórios e se alternam, não tendo fim.

A importância disso reside no fato de que tudo converge para uma única realidade, embora tudo seja relativo. Como o tudo não é coisa alguma, é do nada que provém tudo. Por isso mesmo, todas as coisas são iguais, e devem ser amadas indiscriminadamente.

Aparentemente, tanto Huizi como Gongsunlong também pregavam o amor universal, embora estendessem um pouco mais essa noção em comparação aos discursos confucionistas, moístas, etc. Para eles, toda e qualquer coisa era um objeto dessa realidade única e, por conseguinte, com semelhanças conosco. Logo, ela deveria ser amada, respeitada, e venerada, em equivalência com todas as outras manifestações da realidade suprema; afinal, tudo é relativo, mas todas as coisas provêm da mesma fonte.

Resta-nos pensar que fonte é essa: será uma sapiência humana universalista? Será uma realidade metafísica? Ou será, ainda, uma pura e simples manifestação do homem diante dos mesmos contextos e problemas? Aliás, sendo tudo relativo, será que todas as outras escolas podem estar certas em suas interpretações sobre o dao, ou nenhuma está? E ainda, suas propostas são temporais, ou atemporais? São reais ou utópicas? Vem de algo além ou da simples constatação do mundo? Esta é, simplesmente, uma resposta que os nominalistas não souberam (e nem se propuseram) a dar. Na dúvida, porém, os nominalistas parecem dizer a mesma coisa que Confúcio e Mozi: amem a todas as criaturas, sem distinções.


Bibliografia Indicada:

CHAN W. T. Sourcebook in Chinese Philosophy. Princeton: PUP, 1963.

CHENG, A. Historia del pensamiento chino. Madrid: Bellaterra, 2003.

GRANET, M. O Pensamento Chinês. São Paulo: Contraponto, 1997.

RIEMAN, F. “Kung-Sun, White Horses and Logic”. in Philosophy East & West, n.31. Hawai, 1981.

THOMPSON, K. “When a "White Horse" is Not a "Horse". in Philosophy East & West. n.45. Hawai, 1995.

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